Entenda um pouco mais sobre os DPO’s

Boa noite queridos delegados, estamos a pucos dias do início da 19ª edição do MINIONU e iremos explicar um pouco mais sobre o que é um documento de posição oficial, documento este que deverá ser entregue na primeira sessão da Liga das Nações, dia 13 de outubro.

O que é um DOCUMENTO DE POSIÇÃO OFICIAL?

Um Documento de Posição Oficial é um documento redigido pelo embaixador do país a ser representado para delimitar qual o posicionamento que aquele país tem em relação à questão a der debatida. O que ele defende, quem ele apoia, quais suas distinções, o que seu país espera, como seu país se insere no comitê, etc. (LEMBRAMOS QUE POR SE TRATAR DE UM COMITÊ HISTÓRICO QUE AS INFORMAÇÕES CONSIDERADAS DEVEM SER ANTERIOR A DATA DE 1921, POIS EVENTOS POSTERIORES A ESSA DATA AINDA NÃO OCORRERAM).

Para que serve um DPO?

O Documento de Posição Oficial serve para orientar todos os demais delegados presentes no comitê. Nesse sentido, é a partir do DPO que todos os delegados podem ter acesso à posição específica de cada país dentro daquele comitê. Todos os delegados tem acesso ao DPO’s que estarão disponíveis na mesa durante a simulação. Apesar de se tratar de um comitê em dupla: lembramos que os senhores delegados devem exercitar o trabalho em equipe e portanto é necessário apenas 1 DPO por dupla, por se tratar de um mesmo posicionamento.

Como escrever um DPO?

Escrever um Documento de Posição Oficial pode parecer complicado, especialmente para delegados iniciantes. Entretanto, com uma boa pesquisa e a dedicação de certo tempo e atenção à tarefa, seu DPO ficará excelente!

O padrão de DPO do MINIONU tem apenas uma página, fonte Times New Roman ou Arial, tamanho 12. Contendo a bandeira do país a esquerda da Página (pedimos atenção em especial por se tratar de um comitê histórico e por consequência algumas bandeiras se diferirem das atuais)e o brasão de armas à direita e marca d’água contendo a logo da Liga das Nações.

Seu documento deve incluir uma breve introdução sobre o tema, seguida de uma exposição detalhada da posição de sua representação sobre o tema a ser debatido. Um bom Documento de Posição Oficial não contém apenas fatos e informações, mas também sugestões ou ideias sobre como deve ser a resolução do comitê, as quais ainda se tratam de expectativas.

Dessa forma sugerimos que ao longo do corpo do texto tentem orientar-se pelos tópicos abaixo:

  • Introdução: Brevemente, apresentar a delegação, a relação do país com o tema (uma breve abordagem histórica das relações e fatos que sejam pertinentes ao que será discutido no nosso comitê).
  • Desenvolvimento: expor o posicionamento oficial da delegação. Se sua delegação participa do comitê é porque esse tema a afeta de alguma forma… Estude e descubra! Apresente medidas e políticas que o país já aplicou sobre o tema e as justificativas para as mesmas. Pode haver, também, citações de autoridades de seu país que se relacionem com o tema, para ilustrar os posicionamentos de forma pontual. Por último, apresente concordância ou discordância quanto ao posicionamento ou pronunciamento de outros países e organizações internacionais sobre o assunto.
  • Encerramento: falar sobre as expectativas da sua representação quanto ao debate, apresentar ideias para a solução dos problemas apresentados e o que espera a respeito da resolução final.

Não se esqueça de assinar ao fim do documento. Imprima o DPO e guarde em um lugar seguro, pois ele deverá ser entregue à mesa diretora antes do início da sessão no primeiro dia de simulação e ficará em uma mesa para que outros delegados possam lê-lo durante as discussões.

Abaixo segue uma imagem para ilustrar os um formato de DPO:

formato-dpo-imagem

Ademais, estamos muito ansiosos para conhecê-los,

Abraços

Equipe Liga das Nações 1921.

*Esse post baseou-se na versão publicada pelo comitê CCW 2017, 18º MINIONU.

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POLÔNIA EM FOCO

No post de hoje abordaremos  aprofundaremos sobre o Estado polonês, mais precisamente nos aspectos que se referem à sua história, os impactos sofridos num contexto pós-guerra e as mudanças territoriais. A Polônia é um país da Europa Central que tem fronteiras comuns com a Alemanha, República Checa, Eslováquia, Ucrânia, Bielorrússia e a Lituânia. Quanto à sua origem, a cultura da Polônia está intimamente ligada com a sua história de mais de mil anos, em contribuição da cultura do proto-eslavos, ao longo do tempo a cultura polonesa foi profundamente influenciada por seus laços com povos germânicos, latinos e bizantinos. Nos séculos XIX e XX, a Polônia vivia um período de grande avanço na parte cultural do país, que culminou posteriormente nas atividades da política e economia. A Polônia também é conhecida, pela sua longa tradição no que se refere à tolerância com as minorias, bem com a ausência de discriminação, seja ela de cunho religioso ou racial, o país ao longo de sua história mostrou um alto nível de preocupação quantos aos quesito mencionados.

No que tange a origem da Polônia, historiadores defendem que ao longo da Antiguidade, diversos grupos étnicos povoaram a região, porém a exata etnia e afiliação linguística ainda são informações que geram grandes debates. Sabe-se que o Estado teve sua origem em meados do século X, pela dinastia Piast marcada por uma linhagem de reis e duques que governaram a Polônia desde a sua aparição como Estado independente até 1370. Quanto aos seus governantes, o primeiro dito como historicamente verificado, foi Miecislau I, que a partir de então adotou o catolicismo como religião oficial do país. No século Xll, a Polônia foi fragmentado em diversos estados, que posteriormente foram devastados pelos exércitos mongóis da Horda Dourada, alguns anos depois, vários países da Europa foram afetados pela Peste Negra, porém a infestação não chegou às terras polonesas (TEEPLE, 2002).

Ao longo do século XVI, com a origem da Comunidade Polaco-Lituana, a nobreza da Polônia, que era em maior quantidade que nos países da Europa Ocidental, vivia em uma época de grande prosperidade, e com orgulho de suas liberdades e de seu sistema parlamentar. Além disso, tal período próspero fez com que as fronteiras da Polônia fossem expandidas, de modo a torná-la o maior país da Europa (MATSUKI, 2013).

Em meados do século XVII, a Polônia viveu um período, marcado como a Era das partilhas, devido a uma invasão sueca e a revolta cossaca de Chmielnicki, que devastaram o país, pondo um fim ao período próspero que a Polônia viveu desde a origem da Comunidade Polaco-Lituana. Ademais, houveram diversas guerras travadas contra a Rússia, resultando somente em tentativas frustrantes de um possível reforma, que culminou nas três partilhas da Polônia (1772, 1793 e 1795) que condenaram o Estado polonês a desaparecer do mapa e fazendo com que seu território fosse dividido entre s Rússia, Prússia e Áustria. Os polacos se mostraram muito ressentidos frente ao ocorrido, e rebelaram-se em diversas ocasiões contra as potências que partilharam o país, contudo Napoleão restabeleceu um Estado polaco em 1807, sendo em 1815 o país partilhado novamente, diante as guerras napoleônicas, pelo Congresso de Viena (BRITANNICA , 2017).

Durante a Primeira Guerra Mundial, os Aliados concordaram em restabelecer o Estado da Polônia, conforme citado por Woodrow Wilson, o então presidente dos Estados Unidos da América. Em 1918, a Polônia recuperou sua independência numa época que ficou conhecida como a Segunda República Polaca, além disso outro evento que contribuiu para reafirmar a sua independência, foi a Polaco-Soviética, quando a Polônia infligiu uma derrota esmagadora ao Exército Vermelho. Diante do exposto neste post, pôde-se compreender um pouco do histórico polonês frente às disputas territoriais, em que o país estava inserido, além de incentivar aos leitores a pensar em novas alternativas para a resolução do impasse estabelecido na Liga das Nações, em 1921, em que a Polônia novamente disputará territórios, só que dessa vez contra a Alemanha.

REFERÊNCIAS

BRITANNICA, 2017. “Poland info”.

MATSUKI, E .  The Crimean Tatars and their Russian-Captive Slaves.

TEEPLE, J. B. (2002). Timelines of World History. Publicador: DK Adult.

 

Alemanha em foco

         No post de hoje abordaremos a história do Estado Alemão, levando em consideração o processo que culminou na sua unificação em 1871. Dessa forma, salienta-se os acontecimentos históricos a partir de 1815 – data do Congresso de Viena – que se configura como um importante marco na história da Alemanha. Ainda será discutido, brevemente, o contexto econômico alemão no período pós-guerra.

            Em 1815, com o fim do Santo Império Romano-Germânico tem-se o Congresso de Viena, composto pelas grandes potencias europeias que se reuniam com o intento de redefinir o mapa político europeu após a derrota da França napoleônica. Assim uma nova entidade política fora criada, intitulada Confederação Germânica. Esta era composta por 39 Estados independentes, que compreendia boa parte da população europeia de íngua alemã, a Prússia e a Áustria. Cada um dos Estados integrantes mandava um representante para a Dieta Federal, sendo o Imperador Austríaco o presidente deste órgão político.

            Contudo, por mais que oficialmente os Estados fossem autônomos, a Áustria, por ser hegemônica nesse contexto, se viu no direito de inferir em assuntos internos. A parir de 1820 passaram a ocorrer movimentos nacionalistas e liberais nos Estados da Confederação Germânica, o que desencadeou uma resposta repressiva do governo austríaco. Era de extrema preocupação da Áustria que estes movimentos incentivassem as mais diversas etnias que compunham seu território a também lutarem pela independência, o que configuraria como fim do seu império multinacional. (KNOWLES, 1947)

            Em 1834, surge Zollverein, uma União Aduaneira entre os Estados da Confederação e a Prússia, que com o objetivo de minar o poder da Áustria, financiou este projeto. Esta união visava criar um espaço econômico alemão unificado, sem tarifas internas entre os membros e com o estabelecimento de tarifas alfandegarias comuns a Estados exteriores, visando desenvolver os Estados ainda caracterizados por serem “[…] puramente agrícola, dividida por uma infinidade de barreiras aduaneiras internas e servida por más estradas” (KNOWLES, 1947, p.15). Dessa forma, a industrialização foi sendo impulsionada, sobretudo na Prússia.

            Em 1848, o sucesso da Revolução Francesa inspirou revoluções nos Estados da Confederação, que com a presença do nacionalismo como diferenciador, tendia a unificar os Estados alemães, bem como dissolver o Império Austríaco (KENT, 1982). As manifestações contavam com intensa participação burguesa e das classes populares, que conseguiram derrubar grande parte dos príncipes que governavam os 39 Estados, colocando fim na Confederação Germânica.

            Com isso, destaca-se a Revolução Liberal na Prússia, na qual Frederico Guilherme IV fora pressionado a assumir a condição de monarca liberal, e ratificar uma constituição que limitasse seus poderes. Nos Estados germânicos, ocorreu o Parlamente de Frankfurt, que congregava delegados eleitos pelo povo, visando promover a unificação alemã com caráter liberal, democrata e nacional. No Parlamento foi estabelecido a união dos 39 Estados e a Prússia, excluindo a Áustria da unificação. Contudo, Guilherme IV não aceitou a constituição elaborada, a Áustria derrota o Parlamento de Frankfurt e persegue os revolucionários, refazendo a Confederação Germânica.

            Frederico Guilherme IV, como visto pelo incentivo prestado por ele na União Aduaneira em 1834, era favorável a uma unificação, porém em termos conservadores, e não liberais como havia sido contestado pelos revolucionários. Assim, seguindo o interesse de unificar a Prússia e os Estados germânicos sob seus termos, ele conta com o apoio da aristocracia rural, conhecidos como os junkers. Em 1850 é outorgada uma constituição que garantia amplos poderes ao Kaiser, mas que contava com um parlamento, embora com poderes restritos.

            Em 1862, Otton Von Bismarck, um junker, recebe o cargo de chanceller, ou seja, primeiro ministro da Prússia. Bismarck defendia amplamente a unificação, e para isso estabeleceu um jogo diplomático como estratégia com importantes Estados nacionais. Uma das primeiras estratégias utilizadas pelo Chanceller foi a difamação da Áustria, afirmando que o domínio sob Holstein se configurava como agressão aos povos germânicos. Com isso em 1866 eclode a Guerra Austro-Prussiana que conta com uma vitória da Prússia, e a criação da Confederação Germânica do Norte, na qual a alguns países do sul e Áustria deixaram de fazer parte. (KENT, 1982).

            Bismarck se certificou que as potências europeias mais próximas geograficamente não iriam oferecer ajuda aos austríacos. Uma aliança militar foi estabelecida com a Itália em troca do território de Venécia, que estava sob domínio da Áustria. Além disso, um acordo foi feito com a França que garantiu manter uma neutralidade em troca de compensações territoriais. Contudo, Bismarck não satisfeito, queria reintegrar os países do sul, que por serem de maioria católica, se recusavam a se submeterem a um domínio luterano. Para resolver essa questão, Bismarck insufla o sentimento nacional afirmando uma possível invasão francesa, que “cobrava” os territórios prometidos em troca da sua neutralidade (KENT, 1982).

            Um acordo foi assinado entre a Prússia e os Estados germânicos do sul, que garantia a ajuda prussiana em caso de invasão. A Espanha nesta mesma época tinha um prussiano como o candidato mais acatado para assumir o trono, o que incomodou profundamente a França que não aceitava está cercada por dois Estados governados pela mesma família. Em 1870 deu-se inicio a Guerra Franco-Prussiana, a qual agregou todos os países germânicos, com exceção da Áustria, sob o comando de Bismarck. Com a vitória germânica é finalmente estabelecida em 1871 a Alemanha unificada (KENT, 1982).

            A partir daí a Alemanha foi se tornando um polo de poder na Europa, com um intenso crescimento econômico e militar. O governo de Bismarck foi fortemente influenciado pela tradição militarista, absolutista e burocrática. No final do século XIX, a Alemanha já era uma grande nação industrial, com abundantes reservas de ferro e carvão, o setor de bens de produção também se desenvolveu de tal forma que permitiu a criação de uma poderosa indústria pesada e bélica.  Destaca-se ainda, o forte investimento em pesquisas cientificas e no aprimoramento dos processos tecnológicos, fato que possibilitou a entrada de produtos alemães em mercados até então monopolizados pela Inglaterra (DUROSELLE, 1976). Guilherme II, sucessor de Bismarck adotou medidas distintas, como o isolamento diplomático, corrida armamentista, atitudes provocatórias e permitiu que o tratado de segurança com a Rússia caducasse.

            Com o final da Primeira Guerra Mundial, conduto, a situação alemã decaiu drasticamente. Tendo sido obrigada a concordar com as severas imposições do Tratado de Versalhes, muito dinheiro foi destinado a pagar indenizações para as potências vencedoras como forma reparação aos estragos causados pelo conflito, sem contar com os autos custos militares despendidos nesse período. Além disso, a Alemanha foi obrigada a ceder uma série de territórios. A inflação já vinha crescendo desde o 1914 e os trabalhadores tiveram seus salários reduzidos, a crise social estava cada vez mais acentuada e os alemães passaram a nutrir um forte sentimento revanchista contra a Inglaterra, a França e seus aliados. A Alemanha buscava, portanto, formas de restaurar sua economia e consequentemente o seu lugar de influencia no Sistema Internacional.

REFERÊNCIAS

DUROSELLE, Jean B. A Europa de 1815 aos nossos dias. São Paulo: Livraria Pioneira Editora, 1976.

KENT, George O. Bismark e seu tempo. Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 1983

KNOWLES L. C. A. O Desenvolvimento Econômico durante o Século XIX. Coimbra: Coimbra Editora, Limitada, 1947

RENÊ, Friedrich. A formação do Estado alemão e a construção do sistema bismarckiano de alianças: do Congresso de Viena ao surgimento de uma potência contestadora. Disponível em https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/96560/000917266.pdf?sequence=1  Acesso em: 27 de Set de 2018

 

 

 

 

 

Um novo olhar acerca dos impasses territoriais

No post de hoje abordaremos um pouco mais sobre fatores que influenciam conflitos envolvendo territórios. É comumente conhecido, que existem diversos fatores que podem desencadear disputas territoriais ao redor do globo. Mais comumente, as questões que envolvem fatores socioeconômicos, interesses por matéria-prima ou segurança, estão frequentemente ligadas às causas de tais disputas. Tais fatores possuem forte influência, pelo fato de assegurarem ao Estado o seu desenvolvimento e fortalecimento no cenário internacional, além de consequentemente reforçarem aquilo o que mais temem colocar em risco, a soberania (ALMOZARA, 2013).

Após a desastrosa derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial, em 1919, o país teve que assinar um acordo, conhecido como “O Tratado de Versalhes”, com os países vitoriosos, sendo estes os Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e outros países aliados, os quais exigiram o pagamento de reparações econômicas, militares e territoriais aos países atacados pela Alemanha. No que se diz respeito à região oeste, foi imposto à Alemanha a devolução da região da Alsácia-Lorena à França, cuja área havia sido tomada dos franceses pelos alemães cerca de 40 anos antes. O contexto na qual a região da Alsácia-Lorena está inclusa, pode ser interpretado como uma das questões que levaram os países a disputar este território. Sendo assim, partindo de um viés de análise econômica, os recursos naturais presentes na região, como carvão e ferro, eram essenciais para a reestruturação de uma economia, ainda mais quando levamos em conta o potencial da indústria no início do século XX e o quão vantajoso a apropriação dessa região simbolizava para os países na época (BBC, 2018).

No que tange a região sudoeste, a Liga das Nações tomou para si, a administração da região industrial de Sarre, logo após a Primeira Guerra Mundial, além disso cedeu aos franceses o domínio de suas minas de carvão, o que cominou uma crescente onda de um sentimento antifrancês. A leste, a Polônia recebeu partes da Prússia Ocidental e da Silésia. No total, a Alemanha perdeu 13 por cento do seu território em solo europeu, aproximadamente 70.000 quilômetros quadrados, e um décimo de sua população (entre 6.5 a 7 milhões de habitantes).

Quando se fala em questões envolvidas nas disputas territoriais, é imprescindível reiterar a importância da região da Silésia, em que no decorrer da história foi dividida entre a Polônia, a República Checa e Alemanha. Sua significância no que tange ao desenvolvimento industrial é válida para explicar o interesse pelo qual os países envolvidos a disputaram. No Tratado de Versalhes, foi adiada a decisão acerca da população da Alta Silésia para determinar o futuro da província, com a exceção de uma área de 333 km² em torno de Hlučín, que foi entregue à Tchecoslováquia em 1920, apesar do fato de possuir população de maioria alemã. Vale ressaltar que no sudeste, que era a espinha dorsal da economia e da indústria, havia uma forte maioria polonesa.

Diante do exposto, vale a pena ressaltar como a evolução territorial da Polônia ainda estava em processo de crescimento até meados de 1921. Com o estabelecimento do Tratado de Versalhes, o Estado polonês ressurge, recebendo do Império alemão a maior parte da província prussiana de Posen, 70 por cento da Prússia Ocidental, fornecendo à Polônia o acesso ao Mar Báltico, além da Alta Silésia Oriental e a região de Dzialdowo na Prússia Oriental, atribuindo à Polônia uma linha férrea que liga Varsóvia a Danzigue. No ano seguinte, em julho de 1920, a Conferência de Spa realizou ajustes territoriais, anexando ao território polonês as regiões de Orava e Spis. Em 1921, vem acontecendo diversas revoltas na Silésia, o que implica em uma demanda para uma intervenção da Liga das Nações para mediar o conflito e evitar um crescimento deste (DAVIES; NORMAN, 2005)

Ademais, vale a pena ressaltar que entre os anos de 1870 e 1914, o mundo vivia a chamada Belle Epóque, em que o planeta experimentava um tempo de progresso econômico e tecnológico. Porém, a relação dos países industrializados se tornou, com o passar do tempo, uma relação de disputa e tensão. “Itália, Alemanha e Japão promoveram a modernização de suas economias, resultando na concorrência pelos territórios imperialistas de forma cada vez mais acirrada” (MIGUEL, 2012).

REFERÊNCIAS

ALMOZARA, Amanda Alves. O conceito de soberania estatal e suas implicações frente às organizações internacionais. Conteudo Juridico, Brasilia-DF: 18 jul. 2013. Disponivel em: <http://www.conteudojuridico.com.br/?artigos&ver=2.44394&seo=1&gt;. Acesso em: 25 set. 2018.

DAVIES, NORMAN (2005). God’s Playground. A History of Poland. Volume I: The Origins to 1795. Oxford: Oxford University Press. p. 23

GERMANY PROFILE TIMELINE. BBC. Disponível em: https://www.bbc.com/news/world-europe-17301646. Acesso em: 25 set 2018

MIGUEL, Ritana. I Guerra Mundial. Disponível em: https://www.trabalhosfeitos.com/ensaios/1-Guerra-Munial/406544.html. Acesso em: 25 set 2018

PERDAS territoriais da Alemanha devido ao Tratado de Versalhes, 1919. Disponível em: https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/map/german-territorial-losses-treaty-of-versailles-1919. Acesso em: 25 set 2018

Um olhar mais aprofundado acerca do nacionalismo

No post de hoje exploraremos um pouco mais sobre os conceitos de nação e nacionalismo,  e os possíveis impactos nas discussões ambientadas no nosso comitê.A partir de uma leitura de “Nações e Nacionalismos desde 1780” de Eric J. Hobsbawn, tem-se que antes de 1884 a palavra nação significava, segundo o Dicionário da Real Academia Espanhola “o agregado de habitantes de uma província, de um país ou de um reino”. Em 1925 esta definição foi atualizada para “a coletividade de pessoas que tem a mesma origem étnica e, em geral, falam a mesma língua e possuem uma tradição comum”. De acordo com a Enciclopédia Brasileira Mérito, a nação é “a comunidade de cidadãos de um Estado, vivendo sob o mesmo regime ou governo e tendo uma comunhão de interesses”. (HOBSBAWN, 1990)

A analise de Hobsbawn foca na questão nacional a partir 1880. Tem-se, a partir daí um equacionado de uma noção de nação vinculada ao Estado e a um povo, sobretudo a um povo soberano em função da autodeterminação popular. Nessa perspectiva, a nação passou a estar intrinsicamente ligada ao território, pois a estrutura dos Estados modernos passou a ser essencialmente territorial. (HOBSBAWN, 1990)

Assim, uma nação pode ser entendida como um grupo que reivindica uma identidade e o direito de ser um Estado. Este grupo de pessoas compartilham de uma identidade comum, que pode haver variadas fontes de origem como semelhanças étnicas, linguísticas, a religião, passado histórico, entre outras. (NYE, Joseph, 2009) As nações são também chamadas de “comunidades imaginadas”, uma vez que embora o grupo compartilhe de uma série de aspectos em comum, muitos fatos passados foram esquecidos, e por serem consideravelmente grandes, torna-se basicamente impossível todos se conhecerem. Assim, a imaginação assume um papel fundamental. (ANDERSON, 1983)

De acordo com Benedict Anderson (1983) em seu livro “Comunidades Imaginadas” uma nação é definida como “[…] uma comunidade política imaginada – e imaginada como sendo intrinsecamente limitada e, ao mesmo tempo, soberana”. Nessa perspectiva os aspectos semelhantes que um grupo compartilha entre si foram um dia criadas e difundidos. As nações são instrumentos de diferenciação entre grupos e, internamente, englobam todos os membros de forma igual, fato este que a configura, segundo o autor, como comunidade.

O nacionalismo, é, portanto, o sentimento de pertencimento a uma nação. Este conceito está altamente vinculado aos Estados modernos, pois torna-se fonte decisiva para legitimar a soberania de um povo. Dessa forma, por meio de afirmações de cunho nacionalistas é possível fazer com que os outros reconheçam sua existência quanto nação, resguardando e conquistando direitos nacionais. (NYE, Joseph, 2009)

Percebe-se a partir das definições supracitadas que existem diferentes abordagens a respeito do nacionalismo. No que tange, por exemplo ao nascimento de uma nação, tem-se autores como Lord Acton (2008) e Ernest Gellner (2008) com visões completamente opostas. Acton citado por (CARVALHO, Marina, pg.4) acredita que o Estado é o formador da nacionalidade, ou seja, a nação para ele é fruto do Estado. Já Gellner afirma que a propagação de uma única cultura gera um sentimento nacional compartilhado, que faz emergir uma nação. Estes autores também diferem em outros pontos, Acton ressalta a importância de diferentes nações em um mesmo Estado, pois segundo ele, a diversidade é a maior responsável por preservar a liberdade. Já Gelnner disserta que é necessário que a unidade política e a unidade cultural sejam coincidentes.

É do consenso de muitos autores que a ideia de nacionalismo surgiu a partir da Revolução Francesa e das guerras napoleônicas no final do século XVIII. Com o surgimento da classe burguesa, ocorreu uma mudança na dinâmica social e política que vigorava na França, na qual este grupo começou a contestar o absolutismo pautado na figura no rei. Assim, a classe ascendente era desejosa que o Estado fosse definido em termos de nação, de um povo que não mais vangloriaria um monarca, mas sim a pátria. Destaca-se ainda, que no âmbito externo, as invasões napoleônicas também desencadearam o sentimento de nacionalidade entre outros povos que estavam sendo invadidos, sobretudo dos alemães. (NYE, Joseph, 2009)

Segundo Lord Acton a partir desses acontecimentos, “o antigo sistema europeu estava em ruínas e um novo mundo despontava em seu lugar” (ACTON, 2008, p. 27). O entendimento de nação fez com que comunidades políticas exigissem ser unificadas em um único Estado, sendo o auge da propagação desse sentimento simbolizado pela unificação alemã e italiana. Com o fim da primeira Grande Guerra, diversos Estados-nações surgiram da fragmentação dos impérios, o que redefiniu o mapa europeu com base nos princípios de nacionalidade.

Atualmente, todos os Estados são nações, pelo menos oficialmente, o que ilustra o avanço do principio de nacionalidade. Contudo, embora essa ideia de nação tenha resultado no fim dos grandes impérios absolutistas, tenha acompanhado os movimentos de liberalização colonial, de afirmação terceiro mundista, e tenha sido fundamental na configuração do Estado Moderno, sua forma exacerbada foi responsável pelo desencadeamento de uma série de conflitos ao longo da história. Responsável sobretudo pela eclosão de umas das maiores e mais violentas guerras já registrada: a primeira Guerra Mundial.

O Tratado de Versalhes, assinado em 1919 pelas grandes potências vencedoras da Guerra, ratificava severas imposições a Alemanha. Este é um forte exemplo de um Estado que foi obrigado a se reconstruir, tentando minar tanto as consequências diretas do conflito, como também as advindas dos altos preços cobrados pelo tratado, e o fez com base em um discurso que ascendia no povo um forte sentimento de nacionalismo. Assim, percebe-se que o nacionalismo esta pressente e serve como motor para diversos acontecimento e fenômenos históricos, seja como causa da eclosão de um conflito armado, ou como “salvação” de um povo que vê sua integridade e soberania sendo ameaçados.

Por fim, no que tange as disputas germânicas e polonesas sobre o território da Silésia, observa-se que ambos os Estados detêm fortes interesses econômicos e políticos na região, cada qual assegurado pelo principio da nacionalidade, como já dito anteriormente, intrinsecamente ligado a noção de território. Essa questão pode ser percebida por meio da resistência de cada nação em ceder as terras ou divida-las com a outra parte, bem como da participação do povo nessa disputa refletidas pelos levantes e manifestações populares.

REFERÊNCIAS

ANDERSON, Benedict. Imagined Communities. 3a ed. London: Verso, 2006.

CARVALHO, Marina. NAÇÃO E NACIONALISMO: Uma revisão bibliográfica. Disponível em: <https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/21789/1/Na%C3%A7aoNacionalismoRevisao.pdf>. Acesso em: 24 de set 2018

GELLNER, Ernest. Nationalism. London: The Orion, 1997.

HOBSBAWN, Eric J. .Nações e Nacionalismo Desde 1780. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1990.

NYE, Joseph. Coperação e Conflito nas Relações Internacionais. Brasil: Editora Gente, 2009.

 

 

 

 

 

Um breve olhar acerca do Tratado de Versalhes e seus impactos

No post de hoje, será aprofundado sobre o Tratado de Versalhes, muito citado no artigo anterior sobre a Conferência de Paz de Paris de 1919, devido a sua grande importância histórica e seus impactos no cenário internacional que será simulado.  Originário da Conferência de Paris, o Tratado de Versalhes, foi apresentado e assinado em 1919 pela delegação Germânica, nas proximidades de Paris, dotando de aproximadamente 374 artigos. Redigido em grande parte pela delegação americana, britânica e francesa, ficou notadamente conhecido pelas suas diversas imposições à delegação alemã, possuía uma grande diversidade de cláusulas. (TRUEMAN, 2018).

Nele se entrelaçam desde os aspectos respeitantes à definição da legitimidade das “reparações” a serem infringidas aos “culpados” pela beligerância até as questões essenciais do futuro imediato como a reconstrução europeia, a divisão territorial dos impérios não mais sustentáveis depois do conflito, o destino delicado das minorias daí resultantes, o emergente bolchevismo russo e a necessidade de se criar um organismo internacional passível de fixar as delimitações firmadas no Tratado e garantir as boas relações diplomáticas entre os Estados e as nações.” (BECKER apud RODRIGUES, 2012).

No que concerne o Tratado de Versalhes, a delegação Alemã recebe diversas sanções por parte dos países vitoriosos. Dentro do presente documento incluem-se cláusulas que impõem mudanças nas forças armadas alemãs, destaca-se a diminuição de suas forças armadas para um contingente de 100.000 homens que deveriam se voluntariar, sendo banido o alistamento obrigatório. As forças armadas alemãs foram proibidas de possuir veículos armados, submarinos e aeronaves militares, além de haver limitações à construção de novas embarcações de caráter militar. (TRATADO DE VERSALHES, 1919).

O tratado também tratava de questões referentes a divisões territoriais alemãs, tendo segundo análises a Alemanha perdido pelo Tratado de Versalhes um número considerável de seu território e de sua população. Dentre as principais mudanças constavam: a perda da Alsácia-Lorena para a França, a transferência dos territórios de Eupen, Moresnet e Malmedy para a Bélgica. Ocorreu a independência da Estônia, Letônia e da Lituânia. No que concerne o Estado Polonês, este anexou as regiões do Oeste da Prússia e de Posen, tendo também adquirindo indiretamente o porto da cidade de Danzig, a qual passava para o controle da Liga das Nações.  Além de ser prevista a realização de um plebiscito para determinar se a região do Norte de Schleswig ficaria sob o domínio dinamarquês ou alemão. (TRATADO DE VERSALHES, 1919).

Além da perda de diversos territórios, em grande parte como forma de compensação pelas perdas e dívidas geradas pela guerra, destinados à exploração das regiões por parte dos países que adquiriam o controle, foram estabelecidas pelo Tratado de Versalhes uma comissão cujo objetivo seria determinar o pagamento por meio de ouro, commodities, etc. o equivalente a 20.000.000.000 marcos alemães. Tal pagamento destinava-se a restauração econômica e industrial dos países vencedores da guerra. (TRATADO DE VERSALHES, 1919).  Apesar das diversas imposições econômicas impostas a Alemanha, que também estava em um contexto vulnerável pós–guerra não se deve descartar que

Eles reconheceram que a Alemanha pós-guerra seria incapaz de arcar com o enorme fardo financeiro de reconstruir os territórios arrebatados por seus exércitos durante a guerra. Mas eles também sabiam que os seus públicos tinham sido levados a esperar que a Alemanha pagasse o custo total da reconstrução e removeriam qualquer chefe de governo que se contentasse com algo menor que o pagamento integral. (KEYLOR, tradução livre, 2013).¹

Além dessa nova perspectiva, deve-se considerar que a própria comissão de reparação previa a revisão periódica da dívida a ser paga pela Alemanha a partir de 1921, de forma a avaliar seus recursos e capacidades, permitindo as adequações por parte alemã a suas condições. Essa revisão, entretanto, não suspenderia a dívida, a menos que as autoridades da parte vencedora da guerra concordassem. (TRATADO DE VERSALHES, 1919). Dentre uma das cláusulas do tratado de Versalhes que ganhou grande notoriedade, encontra-se a de culpabilidade em que é declarada a responsabilidade pela guerra, conforme demonstrado abaixo

Afirmam e a Alemanha aceita a responsabilidade da Alemanha e seus aliados por causar todas as perdas e danos aos quais os governos aliados e associados e seus nacionais foram submetidos como consequência da guerra que lhes foi imposta pela agressão da Alemanha e seus aliados. (TRATADO DE VERSALHES, 1919).

Além de estabelecer diversas imposições à Alemanha, o Tratado de Versalhes é responsável pela criação da Liga das Nações. A organização baseava-se no princípio de unanimidade entre seus membros tomada de decisões e dentre a suas cláusulas destaca-se a responsabilidade por parte dos países participantes da organização em manter a integridade territorial de seus membros e a de manutenção da ordem. A Alemanha não é convidada a ser membro da Liga das Nações. (TRATADO DE VERSALHES, 1919).

As altas partes contratantes, a  fim de promover a cooperação internacional e alcançar a cooperação  internacional; paz e segurança; pela aceitação de obrigações de não recorrer à guerra; pela prescrição de relações abertas, justas e honradas entre as nações; (…) Concordar com este Pacto da Liga das Nações. (TRATADO DE VERSALHES, 1919).

Quando firmado, o Tratado de Versalhes trouxe diversos impactos, para Alemanha e para os países aliados, em especial Estados Unidos, França e Reino Unido. A Alemanha se sentiu em grande parte lesada pelas diversas imposições a seu país, tendo a população alemã reagido negativamente ao Tratado, o qual trouxe grandes perdas de minas de carvão devido aos territórios perdidos. Em contrapartida, grande parte da população britânica e francesa, consideraram as imposições do Tratado como brandas. A recepção do Tratado pela população americana, foi em grande parte negativa, tendo sido considerado como um Tratado desigual devido ao tratamento dado a delegação Alemã, tendo os americanos não participado da Liga das Nações. (THE NATIONAL ARCHIVES, ?). O Tratado de Versalhes é marcado por sua extrema importância devido o contexto em que foi estabelecido e trouxe diversas repercussões, sendo seu entendimento de extrema importância e relevância.

¹they recognized that post-war Germany would be incapable of bearing the enormous financial burden of rebuilding the territories ravished by its armies during the war. But they also knew that their publics had been led to expect Germany to pay for the entire cost of reconstruction and would cashier any head of government who settled for anything less than full payment

REFERÊNCIAS

BECKER, Jean-Jacques. O Tratado de Versalhes. São Paulo: Editora Unesp, 2011, 224p.

KEYLOR, William R. The demonization of Versailles. H-Diplo Article Reviews, s.l., nº 429, 31 de out 2013.

MARKS, Sally “Mistakes and Myths: The Allies, Germany, and the Versailles Treaty, 1918–1921,” The Journal of Modern History 85, no. 3 (September 2013): 632-659.

The Treaty of Versailles. The National Archives. Disponível em: <http://www.nationalarchives.gov.uk/education/greatwar/g5/cs2/background.htm&gt;. Acesso em:  21 de set 2018.

TRATADO DE VERSALHES, 28 de junho de 1919.

TRUEMAN C N. “The Treaty Of Versailles”. The History Learning Site, 17 Mar 2015. Disponível em: Historylearningsite.co.uk.  Acesso em: 21 de set 2018

 

A Conferência de Paz de Paris 1919

O fim da Grande Guerra, após o armistício assinado em 11 de novembro de 1918 pelos alemães, culmina em 1919, na Conferência de Paz de Paris, também como conferência dos Quatro Grandes, devido aos principais países vencedores da Grande Guerra: Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e Itália. A conferência, inaugurada no ano de 1919, contava com um grande número de participantes, envolvendo todos 27 países vencedores da Guerra e diversos representantes destes. Em grande parte das discussões, a maioria dos vencedores não foram envolvidos diretamente nas primeiras negociações da Conferência sendo estas em grande parte tomadas apenas pelos Quatro Grandes acrescidos da representação Japonesa.

Em 1919, Paris foi a capital do mundo. A Conferência de Paris era o assunto mais importante, e o promotores da paz, os peacemakers, as pessoas mais poderosas do mundo. Reuniram-se dia após dia. Argumentaram, debateram, brigaram e refizeram o mundo. Montaram acordos. Redigiram tratados. Criaram novos países e novas organizações. Jantaram juntos e juntos foram ao teatro Por seis meses, de janeiro a junho, Paris foi, a um só tempo, o governo do mundo, seu tribunal de recursos e seu parlamento, o foco de seus receios e de suas esperanças. (MACMILLAN, 2004).

Ao longo da Conferência cabe destaque a presença do presidente americano Woodrow Wilson que pregando ideais de paz e de uma diplomacia mais transparente como ressaltado pelo seu discurso, conhecido tradicionalmente como os 14 pontos de Wilson, fundamentais para equilibrar as relações internacionais entre os países envolvidos. A figura do presidente americano influencia bastante o rumo dos debates sendo essencial para formação e  consolidação  da  Liga das Nações, organismo que será encarregado de zelar pelo equilíbrio mundial.  A presença de Wilson busca também  propor uma diplomacia internacional que funcionasse de forma transparente e não mais por meio de acordos secretos. (WILSON, 1918).

O propósito das discussões tangiam tanto medidas a serem tomadas quanto aos perdedores da Guerra, quanto tentar criar uma nova ordem internacional que assegurasse a estabilidade em especial do continente europeu. Foram negociadas as partilhas de território, reconfiguradas as fronteiras europeias, com o surgimento de novos países, e impostas sanções aos países que perderam a Guerra. Destaca-se que em grande parte as decisões tomadas não foram de total acordo com todas as vontades das delegações presentes, e de certa forma ainda estava presente um sentimento de incerteza, em grande parte ainda advindo do final da Guerra (HIBBERT, 2011).

Mesmo antes dos canhões silenciarem em 1918, soaram as vozes queixosas, exigentes, raivosas. “A China é dos chineses”. “O Curdistão tem que ser livre”, “A Polônia precisa reviver”. Expressavam-se em muitas línguas. Reivindicavam muito. Os Estados Unidos tem que ser a polícia do mundo; ou os americanos que voltem para casa. Os russos precisam de ajuda; ou não, devem ser postos de lado com suas modas. Reclamavam muito: os eslovacos dos tchecos, os croatas dos sérvios, os árabes dos judeus, os chineses dos japoneses. Preocupavam-se muito, em dúvida se a nova ordem mundial seria um aprimoramento da antiga. No Ocidente, murmurava-se sobre as ideias perigosas que vinham do Leste (por causa da Revolução Russa); no Oriente europeu, ponderava-se a ameaça do materialismo ocidental. Os europeus especulavam se jamais se recuperariam. Os africanos temiam que o mundo os tivesse esquecido. Os asiáticos consideravam que o futuro era seu; o problema estava só no presente”. (MACMILLAN, 2004)

Apesar da diversidade de demandas presente nos debates da Conferência de Paz de Paris, os resultados das discussões geraram diversos tratados dentre os quais, destaca-se o Tratado de Versalhes, o mais conhecido devido a suas severas imposições a Alemanha, em especial em questões territoriais e por estabelecer a criação da Liga das Nações, com objetivo de tentar assegurar uma nova ordem. Além de estabelecer outros tratados como o Tratado de Saint Germain-en-Laye, o qual consolidava a paz com a Áustria e reconhecia a independência da Hungria, Tchecoslováquia e Iugoslávia e o Tratado de Neuilly e tratados que foram estabelecidos pouco tempo depois do final da Conferência, Tratado de Trianon e Tratado de Sèvres. (HIBBERT, 2011).

A conferência de Paz de Paris consolidou tratados que impuseram sanções aos países perdedores da Grande guerra, entretanto, estes países não estiveram presentes nas discussões.  Os representantes alemães foram apenas convidados apenas para receberem esboços do Tratado de Versalhes. As imposições geradas a Alemanha, são em grande parte responsáveis por um aumento do sentimento de revanchismo alemão. (CIENCIALA, 2002).

A Polônia, ao longo dos debates da Conferência de Paz de Paris reivindica diversos territórios ao longo de sua fronteira com a Alemanha, tendo como premissa principal na maioria de suas demandas a presença de uma população polonesa considerável nas regiões, dentre as quais estão as regiões de Poznan, Pomorze, Silésia. A região portuária de Danzig, também adentrou nas reivindicações polonesas, porém, diferentemente das demais regiões esta não se baseou em critérios étnicos, mas nos benefícios de se manter um porto sob seu controle. Além disso, tenta obter territórios nas fronteiras ao leste, como com a Lituânia. (CIENCIALA, 2002).

As reivindicações polonesas não foram totalmente atendidas, conforme se verificado nos Tratados consolidados ao longo da Conferência de Paris, em especial, a região da Silésia não passa a ser de controle polonês. Apesar disso, a Polônia obteve grande apoio por parte das representações francesas à suas demandas territoriais. Em grande parte este apoio francês baseou-se em um ideal de tentar conter um crescimento alemão e como forma de se obter um aliado futuro, em contrapartida, a delegação Britânica foi uma forte opositora das demandas polonesas buscando manter certo equilíbrio nas perdas territoriais alemãs. (CIENCIALA, 2002).

A Conferência de Paris tem seu fim em meados de janeiro de 1920, tendo sido produtiva em especial para o estabelecimento de mecanismos para assegurar a paz no continente europeu, por meio da Liga das Nações, consolidada pelo Tratado de Versalhes. Porém, não se deve excluir que as condições criadas pela Conferência, a longo prazo se mostrarão bem mais como imposições aos países derrotados do que propriamente uma Conferência que buscava estabelecer uma paz duradoura.

REFERÊNCIAS

CIENCIALA. Anna M. The rebirth of Poland, s.l., 2002. Disponível em: <http://acienciala.faculty.ku.edu/hist557/lect11.htm&gt;. Acesso em: 20 de set de 2018

Hibbert H. (2011) Paris Peace Conference. In: Chatterjee D.K. (eds) Encyclopedia of Global Justice. Springer, Dordrecht. Disponível em: <https://link.springer.com/referenceworkentry/10.1007%2F978-1-4020-9160-5_640&gt;. Acesso em: 19 de set 2018

MACMILLAN, Margaret. Paz em Paris, 1919: a Conferência de Paris e seu mister de encerrar a Grande Guerra. RJ: Nova Fronteira, 2004.

Post-World War I peace conference begins in Paris. History. 2009. Disponível em: <https://www.history.com/this-day-in-history/post-world-war-i-peace-conference-begins-in-paris&gt;. Acesso em: 20 set de 2018.

The Paris Peace Conference and its Consequences. International Encyclopedia of the first world war, 2014. Disponível em: <https://encyclopedia.1914-1918-online.net/article/the_paris_peace_conference_and_its_consequences&gt;. Acesso em: 20 de set 2018

 

 

 

 

Crescemos: Equipe Liga das Nações 1921, está completa!

 

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Queridos delegados,

Temos o prazer de anunciar que nossa equipe está completa e ansiosa para conhecê-los melhor.  Nessa etapa do segundo semestre recebemos nossos queridos colegas que irão nos auxiliar nos dias dos eventos. Conheçam um pouco melhor cada um desses incríveis voluntários da Liga das Nações 1921:

IMG_20180410_090540_224Caros delegados, meu nome é Helberty Vinicios Coelho Filho, tenho 19 anos e estou no primeiro período de relações internacionais, ainda não tive nenhuma experiência com o MINIONU, mas minhas expectativas são de poder ter uma nova visão de como a profissão de internacionalista pode ser. Escolhi o comitê da Liga das Nações 1921 por que sou apaixonado por historia (principalmente a do século XX) e também por geopolítica, o tema de soberania sobre um território na Europa do século XX juntava as duas coisas que mais amo estudar, logo me pareceu à escola perfeita.

Queridos delegados, eu sou a Malu Fernandes, tenho 18 anos e estou no 2° período WhatsApp Image 2018-09-04 at 19.30.14de Relações Internacionais pela PUC Minas. Minha primeira experiência com o modelo de simulações do MINIONU – assim como a de muitos de vocês – será a desde ano. Contudo, desde meu primeiro contato, já me apaixonei por tudo o que o projeto do MINIONU representa e busca trazer aos jovens estudantes de todo o Brasil. Acredito que além da experiência maravilhosa de conhecer novas pessoas e estar perto de um possível futuro ambiente de trabalho, trabalhar como voluntária da Liga das Nações neste ano me trará um abrir de mente gigantesco, com tudo o que posso aprender e repensar mediante aos diferentes pontos de vista que serão colocados durante os dias de projeto. Além desses ganhos da minha parte, espero trazer aos delegados um momento mais do que agradável, mas sim memorável. O qual desperte nestes a vontade de participar ainda mais de projetos na área. Então, como diria o bom e velho Doctor Who: “Allons-y,[Alonso]!” e bom MINIONU a todos.

                                                                                                                                                                  Caros delegados, meu nome é Marcus Eduardus e estou cursando o 2º período de20180830_200909 Relações Internacionais. Conheço o projeto MINIONU desde o ensino médio, no entanto nunca participei, apenas observava outras escolas irem, mas sempre tendo o desejo de estar no projeto. Agora que tenho essa oportunidade como voluntário, tenho grandes expectativas quanto ao funcionamento do projeto e quanto ao seu andamento, além de como funciona os debates e as interações dos seus participantes. O comitê da LN (1921) despertou meu interesse devido as disputas territoriais, o caráter histórico e os desdobramentos de uma organização internacional que estava surgindo, assuntos dos quais me identifico e gosto. Nos vemos em outubro!

Desejamos a todos bons estudos e não hesitem em nos contatar em caso de dúvidas,

Abraços,

Equipe Liga das Nações 1921idk.png

DOSSIÊS

via DOSSIÊS

Senhores delegados, abaixo encontram-se os dossiês da Liga da Nações 1921, para acessá-los basta clicar na bandeira do país. Cada dossiê contém informações básicas a respeito de cada delegação participante das discussões, porém, não exitem em pesquisar mais a respeito de cada delegação.

Bons estudos,

Equipe Liga das Nações.

1

Alemanha

2

Bélgica

3

Brasil

4

China

5

Dinamarca

6

Espanha

7

Finlândia

8

França

9

Grécia

10

Itália

11

Japão

12

Noruega

13

Polônia

14

Reino Unido

15

Suécia

Mesa Diretora

Sejam muito bem vindos a Liga das Nações 1921 para a resolução das negociações territoriais entre Alemanha e Polônia! Enquanto nossas reuniões ainda se aproximam venham conhecer um pouco mais sobre a mesa que mediará os debates da Liga nessa 19ª edição do MINIONU!

Olá senhores delegados,

Meu nome é Marcela Barros NichthaLetícia Mattos-37.jpguser tenho 20 anos e estou no quinto período de Relações Internacionais. Gosto bastante do Mundo das Simulações e dos conhecimentos que estas nos trazem, ademais, gosto de assistir a desenhos animados e  filmes de terror Trash, além de gostar bastante de passar um tempo ao ar livre. esqueci de mencionar que também sou escoteira (não vendemos biscoitos!!), mas passemos agora para pela minha história com o MINIONU.

Meu primeiro contato com o projeto aconteceu em 2014, quando fui delegada da República Centro-Africana no FOCAC 2006, e em 2015 retornei no comitê FIFA. A participação no mundo das simulações me incentivou na escolha do curso de Relações Internacionais e quando iniciei meus estudos na PUC Minas decidi tentar participar do MINIONU como parte da equipe. Em 2016 fui voluntária do comitê Primal Times e ano passado diretora assistente do Comitê Olímpico Internacional 1973. Este ano retorno como diretora do Comitê Liga das Nações 1921, projeto que vem sido desenvolvido desde o final do ano passado,  e pelo qual tenho grande carinho, sou de família de origem polonesa, por parte de mãe, e a questão da Silésia esteve presente na história da minha família, o que cria um forte vínculo meu com o tema. Espero  que possam aproveitar as discussões assim como consegui aproveitar junto com meus queridos companheiros de mesa, Mariana e Vinícius. Abraços,

Marcela.

Olá senhores delegados. Meu nome é Mariana Gazire, tenho 19 anos, e nos dias do evento estarei cursando o terLetícia Mattos-35.jpgceiro período de Relações Internacionais. Minha primeira experiência com o MINONU foi no ano de 2017 como voluntária da Organização Internacional do Trabalho (OIT), e é com muito prazer que continuo a trilhar minha trajetória nessa edição como diretora assistente da Liga das Nações 1921. Espero que assim como eu vocês se apaixonem pelo projeto e que esta seja uma experiência marcada por amizades, muita troca de conhecimento, dedicação, diversão, e que vocês tenham todas as suas expectativas todas superadas. Estou totalmente disposta a fazer, junto com vocês, esse comitê ser maravilhoso. Portanto, sejam muito bem-vindos e nos vemos em outubro,

Mariana.

Olá Senhores Delegados! Meu nome é Vinicius Marinho, sou natural de Belo Horizonte, tenho 20 anos e estou no sLetícia Mattos-36.jpgegundo período de Relações Internacionais. Minha primeira experiência no Minionu começou em 2017, quando trabalhei como voluntário no comitê ECOSOC (2016), e estou muito feliz de fazer parte desse projeto mais uma vez, agora como Diretor Assistente do comitê Liga das Nações (1921). Sou completamente apaixonado por conhecer diferentes culturas e aprender coisas novas, por esses e outros muitos motivos que me levaram a escolher RI como graduação. Tenho certeza que estamos preparando um comitê, que vai proporcionar à vocês uma experiência única e transformadora, assim como tem sido para mim. Ansioso para encontrá-los em outubro. Um grande abraço,

Vinícius.

Não deixe de curtir a nossa página do facebook @ln1921.minionu, e em caso de dúvidas não exite em nos contatar pelo email lnminionu2018@gmail.com.

Cordialmente,

Equipe Liga das Nações 192106e767b8-6855-4e9e-b51c-c5b4c96cd4ed